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As operações estruturadas, como os COEs (Certificados de Operações Estruturadas), são frequentemente apresentadas como investimentos sofisticados, com proteção e potencial de ganho elevado.

No entanto, muitos investidores só descobrem depois que entraram em uma estrutura complexa, difícil de entender — e, em alguns casos, desfavorável desde o início.

Este artigo explica como essas operações funcionam na prática, onde estão os principais riscos e quando pode haver responsabilidade da corretora e da instituição financeira.

 

O que é um COE e como ele funciona na prática

O COE é um produto estruturado que combina:

  • renda fixa
  • derivativos
  • estratégias pré-definidas

Ele é montado por uma instituição financeira e possui:

  • regras fechadas
  • cenários de ganho limitados
  • prazos definidos

Na prática, o investidor não escolhe a estratégia. Ele adere a uma estrutura já montada.

 

Por que o COE pode ser problemático para o investidor

Apesar de ser legal e regulado, o COE apresenta características que exigem atenção:

  • alta complexidade
  • baixa transparência sobre a estrutura real
  • dificuldade de entendimento dos riscos
  • limitação de ganhos em muitos cenários
  • possibilidade de retorno zero ou negativo em termos reais

👉 Ou seja, não é um produto simples — especialmente para investidores leigos.

Onde está o conflito de interesses nas operações estruturadas

Um ponto central pouco discutido é o conflito de interesses.

Em muitos casos:

  • a instituição que monta o COE define as regras do jogo
  • o produto pode ser estruturado para proteger o emissor
  • a remuneração do assessor depende da venda

Isso cria um cenário em que:

  • o investidor assume o risco
  • a instituição estrutura a operação
  • o assessor é incentivado a vender

👉 Nem sempre há alinhamento entre o interesse do cliente e o de quem oferece o produto.

Como o investidor é convencido a entrar na operação

Diversos investidores relatam abordagens semelhantes:

Discurso de segurança com potencial de ganho

  • “você não perde”
  • “tem proteção do capital”
  • “ganho potencial alto”

Na prática, o cenário é mais limitado e condicionado.

Simplificação excessiva de um produto complexo

O COE é explicado de forma resumida, muitas vezes omitindo:

  • cenários negativos
  • condições de não ganho
  • custos embutidos

👉 O investidor toma decisão sem compreender a estrutura.

Alteração ou flexibilização do perfil de investidor

Situação recorrente:

  • investidor conservador ou moderado
  • é induzido a aceitar um perfil mais arrojado
  • ou o suitability é ajustado sem plena consciência

👉 Isso pode violar normas regulatórias.

Uso da confiança construída pelo assessor

O assessor:

  • cria relacionamento
  • transmite segurança
  • orienta a decisão

O investidor, confiando nessa relação, acaba aceitando um produto que não escolheria de forma independente.

Quando o COE pode gerar responsabilidade jurídica

Nem todo prejuízo com COE é irregular.

Mas existem situações em que pode haver responsabilização:

Falta de informação adequada

  • riscos não explicados corretamente
  • cenários omitidos

 

Incompatibilidade com o perfil do investidor

  • produto complexo para investidor conservador
  • ausência de adequação real

 

Promessas ou induções equivocadas

  • expectativa de proteção inexistente
  • ganho apresentado de forma irreal

 

Falha na transparência sobre o produto

  • estrutura não explicada
  • linguagem técnica sem tradução prática

 

Conflito de interesses não informado

  • incentivo financeiro relevante na venda
  • recomendação enviesada

 

O ponto central: você entendeu o investimento que fez?

A análise jurídica costuma girar em torno de uma pergunta simples:

O investidor teve informação clara, adequada e suficiente para tomar a decisão?

Se não teve, pode haver falha na prestação do serviço.

 

O papel da corretora e da instituição financeira

O assessor não atua sozinho.

Na maioria dos casos:

  • ele está vinculado a uma corretora
  • o produto é estruturado por uma instituição
  • a operação segue um modelo padronizado

Por isso, a responsabilidade pode alcançar:

  • corretoras
  • bancos
  • instituições financeiras envolvidas

 

O que fazer após prejuízo com COE

Se você investiu em COE e teve prejuízo relevante, é importante:

  • reunir documentos e extratos
  • guardar comunicações com o assessor
  • evitar novas decisões sem análise técnica
  • buscar orientação jurídica especializada

Cada caso deve ser avaliado individualmente.

 

É possível recuperar o prejuízo?

Dependendo das circunstâncias, pode ser possível discutir:

  • nulidade da contratação
  • falha na prestação do serviço
  • indenização por perdas financeiras

A análise depende de elementos como:

  • forma de oferta do produto
  • perfil do investidor
  • informações fornecidas no momento da contratação

Fale com um advogado especialista em fraudes e prejuízos com investimentos

Se você foi orientado a investir em COE sem compreender os riscos ou sofreu prejuízo relevante, é importante avaliar se houve irregularidade.

O Carrillo Advogados atua exclusivamente na defesa de vítimas de fraudes financeiras envolvendo bancos e corretoras, com foco na responsabilização das instituições e na recuperação de prejuízos.

Uma análise jurídica criteriosa pode indicar os caminhos possíveis para proteger seu patrimônio.

Dr. Héctor Luiz Borecki Carrillo

Sócio da Carrillo Advogados.

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