Investir na bolsa de valores envolve riscos. Oscilações de preço, volatilidade e decisões estratégicas fazem parte da dinâmica natural do mercado.

No entanto, existe uma situação diferente: quando o prejuízo não ocorre por risco de mercado, mas sim por falhas operacionais, erros ou irregularidades de corretoras e intermediários financeiros.

Nesses casos, o investidor pode recorrer ao Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP), um sistema criado para proteger investidores que operam na B3.

Este guia explica quando o investidor pode ser ressarcido e como utilizar o MRP para recuperar prejuízos causados por intermediários financeiros.


O que é o Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP)

O Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP) é um sistema administrado pela BSM Supervisão de Mercados, entidade responsável pela supervisão das corretoras e participantes da B3.

Seu objetivo é indenizar investidores que sofreram prejuízos causados por erros, falhas operacionais ou condutas irregulares de intermediários financeiros.

O mecanismo está previsto nas normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e integra o sistema de autorregulação do mercado de capitais brasileiro.

Entre as principais características do MRP estão:

O mecanismo funciona como uma proteção institucional ao investidor, destinada a reparar prejuízos causados por falhas do sistema de intermediação.


Quando o investidor pode pedir ressarcimento

O MRP pode ser utilizado quando o prejuízo decorre de erro, irregularidade ou falha da corretora ou de seus representantes.

Entre os casos mais comuns estão:

Execução incorreta de ordens

Situação em que a corretora executa uma ordem diferente daquela transmitida pelo investidor.

Exemplos:


Operações realizadas sem autorização

Outro caso relevante ocorre quando operações são realizadas sem ordem do cliente.

Isso pode acontecer quando:


Falha na execução de ordens

Também pode haver ressarcimento quando o investidor tenta encerrar uma posição e a corretora não executa a ordem.

Se essa falha gera prejuízo adicional, pode haver responsabilidade do intermediário.


Problemas técnicos em plataformas de negociação

Falhas de sistema também podem gerar prejuízos indenizáveis.

Exemplos incluem:


Uso indevido de recursos ou ativos do cliente

Casos mais graves envolvem situações como:


Situações que não são cobertas pelo MRP

É importante compreender que o MRP não cobre prejuízos decorrentes de riscos normais do mercado financeiro.

Isso inclui perdas causadas por:

Em outras palavras, o mecanismo não garante o resultado de investimentos.

Ele existe apenas para reparar falhas no processo de intermediação financeira.


Como solicitar ressarcimento pelo MRP: passo a passo

Investidores que sofreram prejuízos podem iniciar o procedimento diretamente junto à BSM Supervisão de Mercados.

O processo envolve algumas etapas fundamentais.

1. Reunir provas do prejuízo

O primeiro passo é reunir documentos que comprovem o ocorrido.

Entre os principais estão:

Essas informações serão essenciais para demonstrar a ocorrência da falha.


2. Registrar reclamação na corretora

Antes de recorrer ao MRP, recomenda-se registrar reclamação formal junto à corretora.

Essa etapa cria um registro da ocorrência e pode permitir a solução do problema diretamente com a instituição.


3. Protocolar pedido junto à BSM

Caso o problema não seja resolvido, o investidor pode apresentar pedido diretamente no site da BSM:

https://www.bsmsupervisao.com.br

O procedimento envolve:


4. Análise do caso

Após o protocolo, a BSM abre um processo administrativo.

A corretora será notificada e poderá apresentar defesa.

A análise pode envolver:


5. Decisão do processo

Ao final da análise, a BSM pode:

Caso o pedido seja aceito, o valor é pago diretamente ao investidor.

Se for negado, ainda é possível apresentar recurso à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).


Prazo para solicitar o ressarcimento

O investidor deve apresentar o pedido em até 18 meses após o fato que gerou o prejuízo.

Após esse período, o direito de solicitar ressarcimento no âmbito do MRP pode ser considerado prescrito.

Por isso, é importante agir rapidamente ao identificar irregularidades.


O MRP substitui a ação judicial?

Não.

O procedimento no MRP não impede o investidor de buscar reparação na Justiça.

A via judicial pode ser necessária quando:

Assim, o MRP pode funcionar como um primeiro instrumento de reparação, sem excluir outras medidas legais.


Perguntas frequentes sobre o MRP

Qual o valor máximo de ressarcimento?

O limite atual é de R$ 200.000 por ocorrência e por investidor.


O pedido no MRP tem custo?

Não. O procedimento administrativo é gratuito para o investidor.


Perdas com opções ou derivativos podem ser ressarcidas?

Somente quando o prejuízo for causado por falha da corretora ou operação não autorizada.

Perdas decorrentes de risco de mercado não são indenizadas.


Conclusão

O Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP) é uma ferramenta importante de proteção ao investidor no mercado de capitais brasileiro.

Embora não cubra perdas decorrentes de riscos naturais do mercado, ele permite a reparação de prejuízos causados por:

Investidores que enfrentam esse tipo de situação devem reunir provas e analisar cuidadosamente a possibilidade de utilizar o mecanismo.

Em muitos casos, o MRP pode representar uma forma eficiente de recuperar prejuízos causados por falhas na intermediação financeira.

Dr. Héctor Luiz Borecki Carrillo

OAB-SP n. 250.028

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